Olhava as bundas carnudas e as coxas roliças com um desejo que maior não há. Como se ali se escondesse a solução para todos aqueles momentos solitários e sombrios que já não queria mais viver e que, teimosamente, se apresentavam todos os dias desde que se lembrava por gente. Diferente de outros seres que admiravam tais curvas, tocá-las não seria o bastante. Não. Precisava possuí-las, e precisava tanto que já não sabia como disfarçar cada vez que via, assim, aquelas coxas e bundas e seios fartos desfilarem pra lá e pra cá. E precisava tanto que, mesmo quando não as via, ainda era tudo que conseguia ver, bastava apenas fechar os olhos e, depois, nem fechar os olhos mais seria necessário. Elas sempre estariam lá, para que fossem desejadas, para trazer inquietação e desespero, para serem sempre presentes e ausentes ao mesmo tempo, e para que ela, que nada disso tinha, só desejasse mais que tudo poder ser assim um dia.
Quem atordoa
Jeniffer Heemann
Redatora, tia babona e tagarela profissional.Contato
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